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Abraços que curam o medo!
28 Nov 2018, 00:00
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Andava a caminhar um pouco, depois de almoço, pois o resto do dia ia ser cheio de compromissos até ao final da noite. Gosto de caminhar nas ruas, ver pessoas, cumprimentar e sorrir para aqueles que passam e por quem passo. Embora muitos estranhem, faz-me bem e penso que é saudável para os outros.

A certa altura, ouço uma voz a chamar-me. Virei-me e mais atrás vinha uma menina, minha conhecida, de mão dada com a mãe, que logo sorriu de contente por lhe ter correspondido. Parei e esperei que se aproximassem. Baixei-me e ela presenteia-me com um beijo e um saboroso «abracinho». A mãe também me cumprimenta.

Começámos a conversa sobre coisas simples. A pequenita anda na catequese de uma das paróquias e é uma ternura. Falámos da escola, dos professores, dos colegas, dos amigos…; sei lá, coisas simples, mas significativas na vida de qualquer pessoa, sobretudo para quem é criança.

A certa altura, a mãe diz-me:

- Ela não anda bem. Passa a noite a acordar e a gritar, por ter imensos pesadelos. Ando muito preocupada…

Perguntei-lhe desde quando acontecia:

- Já lá vão os meses. Não sei o que hei de fazer?! Já a levei ao médico, ao psicólogo… Mas não vejo melhoras…

Olhei para a menina e reparei que estava a olhar para o chão, enquanto a mãe falava. Entretanto, atrevi-me a perguntar-lhe:

- Querida, por que é que tens pesadelos…?

Após alguns momentos longos de silêncio, ela respondeu-me:

- Tenho medo…!

Ao ouvir a resposta, olhei para a mãe que me pareceu surpreendida. Num instante, ela pergunta-lhe:

- Tens medo!? Medo de quê?!

A menina, com uma voz quase de choro misturada de irritação, olha para a mãe e diz-lhe:

- Lá estás tu…! Não percebes!

Entretanto, baixei-me para ficar ao nível dela. Fitei nela o olhar e disse-lhe:

- Sabes como é que o medo desaparece?

Ela respondeu:

- Como?!

Contestei-lhe:

- Com abraços muito apertadinhos, cheios de carinho e de amor!

Ela sorriu, enquanto lhe falava. Perguntei-lhe, no mesmo momento, se podia dar-lhe um abraço destes. Ela acenou afirmativamente com a cabeça, gesto harmoniosamente envolvido por uma grande ternura.

Demos o abraço, sentido e prolongado. Percebi a verdade com que aquela pequenita o fazia, mas, ao mesmo tempo, a necessidade que tinha de que se repetisse mais vezes, não por mim, mas por aqueles que a rodeiam.

A mãe, assistindo à cena e como que a justificar-se, lá falou do imenso trabalho que a ocupa e a preocupa, e de tantos outros afazeres que não lhe deixam tempo…! Não lhe falta com nada, mas, quando chega ao final do dia, já não tem «pachorra» para lhe aturar as birras…!

Ouvi as razões da mãe, sem esquecer o «sofrimento» da filha. Mas, como tinha o tempo limitado não pude avançar na conversa. Despedi-me de ambas, prometendo que, um dia destes, voltaríamos a conversar.

Ao deitar-me, recordei-me dos «medos» daquela menina e das muitas ocupações da mãe. Fiquei preocupado e senti-me triste com este estilo vida que vamos tendo e alimentando, no dia-a-dia, que nos impede de dar aqueles abraços amorosos que vencem os medos que nos atormentam!

Tags: Opinião, Padre Rodolfo Leite
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